Manaus, 13 de julho de 2020

Fórum das Águas promove debate sobre MP que facilita privatização do saneamento básico

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizado em abril, encontrou presença do novo coronavírus em águas de esgoto no município de Niterói (RJ). A evidência aponta para possibilidade de que a falta de tratamento de esgoto na maioria das cidades brasileiras seja um fator que possa colaborar para a disseminação da covid-19. A preocupação gerada […]
Postado em: 8 de junho de 2020

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizado em abril, encontrou presença do novo coronavírus em águas de esgoto no município de Niterói (RJ). A evidência aponta para possibilidade de que a falta de tratamento de esgoto na maioria das cidades brasileiras seja um fator que possa colaborar para a disseminação da covid-19.

A preocupação gerada pela pandemia de covid-19 e pelo histórico de doenças ligadas à falta de saneamento básico como leptospirose, febre tifóide, cólera, além do agravamento das epidemias tais como a dengue, é um dos fatores que serão debatidos durante a live “A privatização do saneamento na Amazônia e a luta contra o PL 4.162/19”, promovida pelo Fórum das Águas. O evento virtual acontece nesta terça-feira, 09.06.20, às 16h (Manaus) e será transmitido pelo facebook do coletivo (@forumdasaguasam), no link: https://bit.ly/PrivatizaçãoDaÁguaNão .

O Projeto de Lei 4162/19, proposto pelo Governo Federal, facilita a privatização das empresas estatais do setor. Em vias de ser votado pelo Senado Federal, a medida promove a inviabilidade de abastecimento de locais com pouca atratividade para a iniciativa privada, ao acabar com o subsídio cruzado, pelo qual, áreas com maior renda atendidas pela mesma empresa financiam parcialmente a expansão do serviço para cidades menores e periferias.

Participam da live o engenheiro civil Abelardo de Oliveira Filho, conselheiro de orientação do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) e conselheiro do Conselho de Administração da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa); e o presidente da Federação Nacional dos Urbanitários, Pedro Blois, empregado da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). A mediação será feita pelo cientista social e especialista em gestão das águas na Amazônia, padre Sandoval Rocha, membro do Fórum das Águas e professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

“A privatização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário aumentará os preços das tarifas e excluirá as áreas mais vulneráveis das cidades e do interior, tornando mais difícil a universalização destes serviços”, afirma Sandoval Rocha.

Dados

Atualmente, 48% da população não tem acesso à rede tratamento de esgoto, segundo o Instituto Trata Brasil. No norte do país, esse número sobe para 90%. Enquanto no Sudeste, apenas 17% dos cidadãos não têm acesso ao serviço.

Segundo o “esgotômetro”, medidor de esgoto despejado na natureza, disponível no site do Trata Brasil, mais de 1,5 milhão de piscinas olímpicas de esgoto foram lançadas ao meio ambiente no Brasil desde 1º de janeiro de 2019, conforme informação publicada pela Agência Senado.

De acordo com dados do Governo Federal, as internações hospitalares de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o país, por doenças causadas pela falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade, ao longo de 2017, geraram um custo de R$ 100 milhões. De acordo com dados do Ministério da Saúde, ao todo, foram 263,4 mil internações.

Dados da OMS revelam que 88% das mortes por diarreias no mundo são causadas pelo saneamento inadequado. Destas, 84% são crianças. Ainda segundo OMS, a cada dólar investido em saneamento, economiza-se U$ 4,3 investido em saúde no mundo.

SERVIÇO
O QUÊ: “A privatização do saneamento na Amazônia e a luta contra o PL 4.162/19”,
QUANDO: Terça-feira, 09.06.20
HORÁRIO: 16h (horário de Manaus)
ONDE: Facebook do Fórum das águas – https://bit.ly/PrivatizaçãoDaÁguaNão

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